terça-feira, 6 de outubro de 2009

TRAPEIROS DE EMAÚS: Em favor da sociedade e do meio ambiente

Reportagem Especial
Por ANTÔNIO MONTEIRO, QUENTIN DELAROCHE, MARCELA ALVES, MARIANA LINS e RUBEM CARNEIRO.


A Associação dos Trapeiros de Emaús Recife é uma entidade social sem fins lucrativos, que oferece às comunidades de baixa renda da Região Metropolitana do Recife (RMR) uma oportunidade de trabalho por meio da coleta, recuperação e venda de objetos usados. Em Pernambuco, o movimento foi fundado em 1996, sob a inspiração de dom Helder Camara, arcebispo da arquidiocese de Recife e Olinda à época. Atualmente, o movimento Emaús Internacional atua em mais de 40 países ao redor do mundo, através de 350 comunidades. Nessa série de reportagens você poderá saber um pouco mais sobre esse trabalho social desenvolvido na periferia do Recife.

A COLETA

O trabalho inicial dos Trapeiros de Emaús consiste na coleta de materiais recicláveis ou reutilizáveis, que possam ser restaurado para serem vendidos posteriormente por preços bem acessíveis a famílias de baixa renda. A lista de materiais de interesse da instituição é vasta. São coletados, além de materiais recicláveis, móveis, eletrodomésticos, roupas, sapatos, livros, condicionadores de ar, refrigeradores, e computadores.
Essa coleta é feita nos leitos dos rios Capibaribe e Beberibe. Objetos que poluem a cidade e podem ser reaproveitados estão na mira dos Trapeiros. Além de recolherem muitos materiais nas ruas e leitos de rios, os trapeiros também recebem muitas doações. Por dia, os trapeiros recebem cerca de vinte. Mensalmente, a quantidade de material reciclável arrecadado chega a cinco toneladas. A única exigência é que todos os materiais recolhidos ou recebidos estejam sempre em bom estado.
De acordo com o coordenador do movimento Emaús em Pernambuco, Luís Tenderine, os objetos recolhidos pela instituição garantem o sustento de 32 trapeiros, que participam do movimento, e a preservação de uma pequena parte do meio ambiente. “As peças coletadas são úteis, mas estão em desuso e muitas vezes poluindo a cidade. Esses itens são remodelados pelos próprios trapeiros, para depois serem revendidos. Nós prolongamos a vida de produtos que iam parar no lixo”, disse Tenderine.
As doações podem ser efetuadas na própria sede da Instituição Trapeiros de Emaús, no bairro de Dois Unidos, na Região Metropolitana do Recife (RMR). Para os doadores que não podem ir até o galpão mantido pelos Emaús Pernambuco, um caminhão e uma Kombi são disponibilizados para recolher os objetos a serem doados em sua residência. Afinal, o importante é doar e colaborar com essa missão.

SERVIÇO

Endereço: Rua Mamede Coelho, 53, Dois UnidosTelefone: 3451-2247 Site: www.emausrecife.org.br

A RECUPERAÇÃO

Há 13 anos, a Associação dos Trapeiros de Emaús realiza um trabalho pioneiro de coleta e recuperação de objetos em desuso, no Recife. A etapa de restauro é uma das mais importantes, pois garante a renda de muitas pessoas que encontram no projeto uma oportunidade de emprego e remuneração.
O processo de restauração dos objetos compreende, basicamente, três fases: avaliação, conserto e encaminhamento do material. Na primeira, tudo o que foi recolhido passa por uma triagem, para que seja selecionado o que ainda pode ser utilizado, o que precisa ser consertado e o que deve ser desmanchado. “Muitas vezes, o objeto não serve para uso, mas podemos desmanchá-lo e reutilizar as peças em outros equipamentos ou, ainda, vender o que há de aço ou metal nobre nele, por exemplo”, explica o vice-presidente da Associação, Carlos Cardeal.
Na etapa de conserto, participam pessoas de baixa renda preparadas pela Associação para recuperar os objetos. Neste momento, também são separados papelão, plástico, papel, metais e vidros para que possam ser vendidos a indústrias de reciclagem da região. “Essa fase é uma das mais importantes, porque o material reciclável arrecada um valor bastante significativo, que é revertido para os associados e para a manutenção de nossa instituição”, diz Carlos.
Por fim, tudo o que foi restaurado é encaminhado para um bazar semanal, onde as pessoas podem adquirir objetos bem conservados por preços populares. “Nós não resgatamos apenas materiais em desuso, mas vidas”, diz o presidente dos Trapeiros, Ronaldo Medeiros.

O BAZAR

O trabalho dos Trapeiros de Emaús não se restringe à coleta e à recuperação dos objetos doados. Uma outra importante tarefa é a venda, a preços populares, daquilo que conseguem restaurar. Todas as quintas e sábados, várias pessoas esperam a abertura do galpão aonde acontecem os bazares. Livros, revistas, móveis, refrigeradores, fogões, videogames, aparelhos telefônicos móveis e fixos, lp’s, eletroeletrônicos e tantos outros bens são expostos ao consumidor. O motorista Isaías Barbosa, 43 anos, é morador de um bairro vizinho a Dois Unidos e chegou logo cedo para encontrar o que queria. “Comprei os dois únicos chuveiros elétricos do lote. São seminovos e gastei somente cinco reais por cada um deles”, comemora Isaías. Apesar de elogiar a iniciativa, o motorista denuncia que atravessadores estão freqüentando o local. “Infelizmente, muita gente vem aqui para comprar barato e vender lá fora por um preço maior”, reclama ele.
Para o vice-presidente dos Trapeiros de Emaús, Carlos Cardeal, o maior atrativo do bazar é o custo-benefício. “É uma excelente alternativa para a população das comunidades mais pobres, pois os preços dos produtos podem cair até 80% em relação ao valor de mercado”, afirma Carlos. O vice-presidente não disfarça a satisfação com a crescente demanda pelos bazares itinerantes. “Mantemos um bazar de livros e vinis na UFPE que é bem procurado. O mesmo acontece quando viajamos com o bazar de roupas pelo interior do estado”, garante ele. Quanto à presença de atravessadores, Carlos aponta as soluções. “Estamos lutando para impedir isso. Mas às vezes eles conseguem nos despistar”, admite.
Os bazares servem de fonte de renda e de trabalho para os trapeiros. Com o dinheiro arrecadado, os projetos do grupo são mantidos e renovados, dando oportunidade aos jovens de aprender um ofício digno. Para quem precisar, quiser ajudar ou apenas se surpreender, basta visitar um dos bazares. De repente, um olhar mais atento já é o suficiente para perceber relíquias de outrora, como um projetor de slides ou uma máquina fotográfica instantânea. A entrada para qualquer dos bazares realizados é sempre gratuita.

SERVIÇO

Bazar dos Trapeiros de Emaús, na rua Mamede Coelho, nº 53, bairro de Dois Unidos (5as feiras das 14 às 16 horas e sábados das 9 às 11 horas);
Bazar Itinerante de livros e vinis, no Centro de Artes e Comunicação da UFPE, na Cidade Universitária (tardes das 3as e 4as feiras);
Bazar Itinerante de roupas, nas cidades do interior de Pernambuco (consultar agenda de viagem pelo telefone 3451-2247).




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