terça-feira, 29 de setembro de 2009

Pernambuco é PET

Pernambuco demonstra como a reciclagem pode dissolver o problema do lixo em benefícios sem precedentes para a sociedade. Acompanhando o ciclo envolvendo o material PET, matéria-prima das famosas garrafas de refrigerante e água mineral, vamos conhecer experiências no estado que utilizam e dão novo sentido a esse resíduo. O modelo a ser mencionado precisa crescer internamente e não deixa de ser referência para outros lugares do Brasil.

Por Arjuna Escobar

Durante o auge da montagem das unidades que configuram a Petroquímica Suape, 5.300 empregos diretos estão sendo gerados. Na fase de operação vão ser 1.800 empregos diretos

O destino do lixo é um dos maiores problemas urbanos. As cidades, em muitas ocasiões, não são dotadas de estruturas para tratar os resíduos produzidos pela população. O resultado são as proliferações de lixões e a inconseqüente poluição de zonas ambientais, e até mesmo, a degradação de regiões habitadas por milhares de pessoas.
Raciocinar maneiras de transformar esse cenário tem sido o ideal de vida de muitos estudiosos, voluntários e anônimos.
Além da boa vontade em proteger o meio ambiente, a corrente mundial em prol da natureza valoriza, também, a questão econômica. Essa relação almeja a viabilização da sustentabilidade, garantindo a manutenção do ideal politicamente correto de vida, mesmo estando dentro da realidade capitalista.
Em 2011, inicia as atividades da unidade de produção do PET no Complexo industrial Portuário de Suape. A fábrica compõe a Petroquímica Suape, subsidiária da Petrobrás no setor petroquímico, a Petroquisa. O investimento de R$ 4 bilhões estrutura o futuro maior pólo de poliéster da América Latina, que ainda conta com unidades de produção de Ácido Terefitálico (PTA) e fios de poliéster.
A operação da Petroquímica Suape vai firmar a produção nacional de resina PET, abastecendo o mercado interno e eliminando a exportação desse produto. O excedente será vendido em mercados da América do Sul. A resina PET produzida no estado se destina ao mercado de embalagens. A partir de 2012, mais 450 mil toneladas de PET será inserida no mundo. Uma pergunta se faz necessária, para onde vai tanto resíduo?

Como todo plástico, o PET deriva do petróleo. Sendo assim, a reciclagem desse material implica na longevidade de um produto com data marcada para acabar. Motivos para justificar a reciclagem não tem limites, ela é necessária e traz impactos positivos para todos.

Lixo que vira artigo de luxo e oportunidades


A Lixiki é uma empresa que reúne os três pilares que edificam a sustentabilidade: respeito ao meio ambiente, economia e transformação social. A empresa aposta na produtividade humana e reutiliza material de descarte, gerando produtos com requintado design e acabamento. Entre as matérias-primas mais utilizadas se encontra o PET, com forte potencial cenográfico e na confecção de sofisticadas luminárias.
Além de desenvolver um trabalho com impactos positivos ao meio ambiente, a Lixiki descentraliza a cadeia produtiva de confecção de seus produtos. Essa função é designada a instituições sociais da região, ampliando o elo social da iniciativa por meio de parcerias. Entre as instituições sociais interligadas à produção está a Fundação Altino Ventura. A FAV atende pessoas carentes na área oftalmológica e gerencia o Projeto Imprimindo um Novo Olhar, cujo ideal é aprimorar técnicas ecologicamente corretas que utilizem o PET, envolvendo atualmente 32 mulheres.

Maria Lúcia de Sousa há dois anos participa do projeto na FAV. “É uma coisa que nunca imaginei esse projeto, pegar as garrafas e transformar em coisas tão bonitas.”

Uma nova luz para o que antes era lixo e agora se transforma em beleza. Muito mais do que ecologicamente correto, o projeto garante a geração de renda

A solução se chama reciclagem
A Frompet é uma indústria localizada na cidade de Jaboatão dos Guararapes. A empresa recicla 1.200 toneladas de garrafas por mês e foi a primeira indústria a revalorizar o PET na América Latina.
O material é adquirido por meio de entidades provindas dos estados de PE, RN, PB, SE, AL e CE. Milhões de garrafas retiradas das praias, canais e ruas.
A Cooperativa de Catadores Pró-Recife, localizada na Imbiribeira, é um dos fornecedores de garrafas à Frompet. Boa parte do material selecionado na cooperativa provém do trabalho dos catadores ou da colaboração de projetos de coleta seletiva. O Wal Mart, rede varejista americana de supermercados, desenvolve um trabalho de coleta com 33 estações em funcionamento na Região Metropolitana do Recife. O material é distribuído entre quatro cooperativas, como a Pró-Recife.
A conexão entre instituições dos mais diferentes ramos reafirma a necessidade de relacionar toda a sociedade na finalidade de se atingir um bem comum. Reciclar significa produzir menos material virgem, economizar energia, proporcionar novos campos de atuação e retirar da natureza materiais com grandes potencialidades artísticas e para a própria indústria.
O PET possui um dos maiores valores no mercado da reciclagem. O Kg. é avaliado entre R$ 0,80 e R$ 0,70 centavos, enquanto outros materiais são vendidos a cinco centavos o kilo, como o papelão.
O universo do PET está em Pernambuco, aberto para ser explorado e incrementado. Ampliar os caminhos já iniciados é bom para a economia, a natureza e as pessoas.

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