quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Quedas estão entre as causas mais comuns de mortes em idosos
Em 2007, o Ministério da Saúde publicou uma pesquisa que mostrou que as quedas são responsáveis por dois terços das mortes em idosos. Nos últimos sete anos, as internações na rede pública por causa de fraturas no fêmur resultantes de quedas, aumentaram cerca de 37%.A maiores lesões são encontradas no fêmur e bacia e, devido a fragilidade do corpo do idoso, a recuperação não é fácil. Cerca de 13% dos idosos caem de forma recorrente e 27% caem ao menos uma vez. Dois terços das mortes acidentais em idosos são causados por quedas. Ainda se não causa a morte, trazem lesões graves, como fraturas e traumatismo craniano.
Com o avanço da idade, a massa muscular diminui e, consequentemente, o idoso fica com menos força deixando-o mais vulnerável às quedas. “O grande ponto é a perda de equilíbrio. Além do déficit na visão e a perda da tonicidade muscular”, afirmou o fisioterapeuta Tiago Pacheco. Aliado a isso, doenças ósseas como artrite e artrose coloboram com avulnerabilidade.
A idosa Maria da Conceiçao, 88 anos, caiu dentro de casa ao fazer um movimento corriqueiro. "Eu estava vendo TV e, quando me levantei da cadeira para ir ao banheiro, desequilibrei e caí", afirmou. Ela teve uma fratura no fêmur e está internada no Hospital da Restauração se recuperando do susto.
A maior parte dos acidentes acontece dentro das casas dos idosos. Portanto, é preciso adaptar o ambiente domiciliar. Especialistas recomendam soluções simples como ter uma cama não muito alta, nem baixa; não usar tapetes soltos; ter um tapete antiderrapante dentro do Box do banheiro; evitar móveis com pontas, além de ter barras de apoio pela casa, onde o idoso possa se apoiar quando necessário.
sábado, 28 de novembro de 2009
RETRANCA: SAÚDE PÚBLICA EM RISCO
TEC: SOLTA FALA POVO (20”)
TEC: SOLTA VINHETA DE ABERTURA
LOC 1: A DONA DE CASA SOLANGE DE OLIVEIRA ESTAVA GRÁVIDA DE NOVE MESES, QUANDO TEVE AS PORTAS DO SISTEMA DE SAÚDE PÚBLICA FECHADAS PARA ELA. O DESCASO E A NEGLIGÊNCIA MÉDICA IMPEDIRAM O NASCIMENTO DE UMA VIDA. SOLANGE ACABOU PERDENDO O BEBÊ.
LOC 2: HÁ ALGUNS MESES, OCIMAR JOSÉ DO NASCIMENTO, DE QUARENTA ANOS, NÃO RESISTIU À ESPERA DE QUATRO HORAS NA FILA DA POLICLÍNICA MUNICIPAL AMAURY COUTINHO, NA CAMPINA DO BARRETO, ZONA NORTE DO RECIFE.
LOC 1: ALÉM DAS VÍTIMAS FATAIS, PACIENTES MADRUGAM NA FRENTE DOS HOSPITAIS, EM BUSCA DE MARCAÇÕES DE CONSULTAS E EXAMES.
LOC 2: FILAS QUILOMÉTRICAS, IMPACIÊNCIA, SOL NO ROSTO E MUITA RECLAMAÇÃO FORMAM UM AMBIENTE QUE DEVERIA SER DE TRANQUILIDADE.
TEC: SOLTA SONORA ESTHEFANNY SILVA (32”)
DI.: “PRA VOCÊ VÊ. FAZ UM MÊS...”
DF.: “...TERMINA MORRENDO MESMO”
LOC 1: RELATOS DE SUPERLOTAÇÃO E DE DOENTES QUE ESPERAM HORAS NA FILA PÕEM EM XEQUE A EFICIÊNCIA DO ATENDIMENTO DE ATENÇÃO BÁSICA DAS REDES MUNICIPAIS DE SAÚDE. A SITUAÇÃO SE AGRAVA AINDA MAIS QUANDO OS MÉDICOS E FUNCIONÁRIOS DEFLAGRAM GREVE.
LOC 2: ESTE ANO, A DONA DE CASA MARIA EMÍLIA TEVE UMA PARADA CARDÍACA E FOI LEVADO AO HOSPITAL GETÚLIO VARGAS. LÁ, MÉDICOS E FUNCIONÁRIOS INFORMARAM QUE NÃO HAVIA CONDIÇÕES DE ATENDIMENTO.
TEC: SOLTA SONORA DONA EMÍLIA (25”)
DI.: "FOI ENTÃO QUANDO ME LEVARAM..."
DF.: "...AINDA ESTOU VIVA"
LOC 1: FALTA DE MEDICAMENTOS, INFRAESTRUTURA PRECÁRIA, INSUFICIÊNCIA DE PROFISSIONAIS E DEMORA PARA A MARCAÇÃO DE CONSULTAS E EXAMES SÃO ALGUNS DOS PROBLEMAS MAIS FREQUENTES.
TEC: SOLTA SONORA SEU SEBASTIÃO (34”)
DI.: “É UM ABSURDO, JÁ VI...”
DF.: “...A GENTE VAI PARAR”
LOC 2: EM JULHO DESTE ANO, OS SERVIDORES DE SAÚDE DECIDIRAM PARAR OS TRABALHOS.
LOC 1: EM OPOSIÇÃO, O GOVERNO DO ESTADO AMEAÇOU CORTAR OS PONTOS DAQUELES QUE ADERISSEM À REIVINDICAÇÃO, SENDO EXPEDIDO UM DOCUMENTO PROMETENDO PAGAR OS DOIS MESES DE SALÁRIOS ATRASADOS.
LOC 2: O ACORDO TAMBÉM INCLUIU A INSTALAÇÃO DE COMISSÕES PARA DISCUTIR REVISÃO DE PRODUTIVIDADE, ABERTURA DE CONCURSO PÚBLICO NA ÁREA DE SAÚDE E MELHORES CONDIÇÕES DE TRABALHO.
TEC: SOLTA SONORA JOÃO SOARES LYRA NETO
LOC 1: E NEM É PRECISO HAVER GREVE PARA EVIDENCIAR OS PROBLEMAS DAS UNIDADES DE SAÚDE. BASTA OUVIR OS RELATOS DOS FUNCIONÁRIOS.
TEC: SOLTA SONORA DO FUNC. DO HR (SEM SE IDENTIFICAR) (32”)
DI.: “EU TRABALHO AQUI PORQUE...”
DF.: “...NÃO PODE FAZER NADA”
LOC 2: SEGUNDO A SECRETARIA DE SAÚDE DO GOVERNO DO ESTADO, NA ÉPOCA DA PIOR GREVE, QUE ACONTECEU NO MEIO DESTE ANO, MAIS DE CENTO E VINTE MÉDICOS PEDIRAM DEMISSÃO.
LOC 1: PARA SUPRIR O QUADRO DE FUNCIONÁRIOS E MELHORAR O ATENDIMENTO, O ESTADO ANÚNCIO, NESTE MÊS DE NOVEMBRO, A CONTRATAÇÃO DE TREZENTOS E DEZESSETE MÉDICOS.
LOC 2: QUEM RECEBERÁ MAIS REFORÇO É A EMERGÊNCIA DO HOSPITAL OTÁVIO DE FREITAS, QUE TERÁ QUARENTA E DOIS CONTRATADOS.
TEC: SOLTA SONORA JOÃO SOARES LIRA NETO
LOC 2: DIVULGAR DADOS AS SECRETARIA DE SAÚDE. (ATÉ O MOMENTO, NÃO CONSEGUIMOS INFORMAÇÕES RECENTES).
TEC: SOLTA SONORA DR. MÁRIO DE CARVALHO (36”)
DI.: “A GENTE TENTA FAZER...”
DF.: “...DE SE APOSENTAR”
LOC 2: AUSÊNCIA DE INVESTIMENTOS E FALTA DE PAGAMENTO DOS SERVIDORES SÃO OS PRINCIPAIS MOTIVOS PARA A CRISE DA SAÚDE PÚBLICA.
LOC 1: ENQUANTO ISSO, AS GRANDES EMERGÊNCIAS DO ESTADO CONTINUARÃO LOTADAS POR PACIENTES DE BAIXA E MÉDICA COMPLEXIDADE.
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Trabalho Infantil
Por Daniel Leal
“Meu nome é Coelho, tenho 12 anos e trabalho porque preciso ajudar a minha mãe e meus irmãos”. Assim se apresenta o menino de nome que chamaremos de José, pois a sua identidade não pode ser revelada, já que se trata de um adolescente. A criança, que perdeu o pai assassinado muito cedo, também precocemente, já trabalha nas ruas do Recife vendendo pipoca e água. No meio dos adultos, ganha quem tem mais força e, principalmente, quem consegue gritar mais alto. Ao som de “Olha água, água, água! A pipoca é a 50 (centavos). Doce, salgada e de chocolate!”, conhecemos o garoto simpático, porém franzino e com um futuro incerto. A história, apesar de comum à realidade brasileira, não deixa de ser triste e chocante. Ainda mais quando conhecemos os dados referentes ao número de crianças que estão na situação de Coelho.
Conhecer a amplitude do trabalho infantil requer um mergulho sem volta no mais repelente círculo criado pela humanidade: o da miséria. Segundo José, a situação que ele vive remete a dó. Uma casa de taipa, três irmãos e uma mãe desempregada e sem escolaridade. Trabalhando no centro da cidade, mais precisamente em frente aos correios, na Avenida Guararapes, no bairro da Boa Vista, coração do Recife, Coelho consegue juntar cerca de R$ 40 por dia. “Em um dia bom, a gente pode até ganhar R$ 50”, confirma, empolgado. O dinheiro não é para jogar vídeo game, nem muito menos diversão: “É para comprar comida, sim senhor”, diz. Segundo a Organização das Nações Unidas, estima-se que 250 milhões de crianças trabalham em todo o planeta, quase sempre em funções que impossibilitam o desenvolvimento integral. No Brasil, são 866 mil crianças, entre 7 e 14 anos trabalhando. Esse dado estatístico revela que três em cada dez crianças que trabalham na América Latina são brasileiras.
A rotina de José começa logo cedo. Morador do bairro da Zona Norte, periferia do Recife, no Alto do Mandu, o menino precisa acordar cedo para ir ao...trabalho! Nada de escola. Nem ele, nem seus outros irmãos, todos meninos, podem estudar porque, simplesmente, sequer possuem o registro de nascimento. “Eu não sei porquê”, responde José ao ser questionado em relação ao fato de não ter seus documentos.
Em relação à vontade de ir para a escola e ter uma vida “normal”, o menino, que nunca conheceu uma realidade diferente da atual, revelou: “Não. Para mim está bom. Pelo menos eu estou conseguindo ajudar em casa”, disse, inocente, José, que é analfabeto, assim como boa parte de sua família.
PROJETO MUDA VIDAS
Por Raphael Guerra
Preocupados com a educação e marginalização de centenas de crianças nas comunidades da Região Metropolitana do Recife, ideias criadas por pessoas comuns fazem a diferença e trazem esperança para o futuro dos meninos e meninas. Um exemplo claro, de atitude cidadã, é o Lar de Clara.
Criada há cinco anos, a instituição tem por objetivo a inclusão social para crianças, adolescentes, e suas famílias, - das comunidades de Jaboatão dos Guararapes e Pontezinha, no Cabo de Santo Agostinho - por meio da educação, cultura, esportes, cuidados com a saúde, assistência social, cursos profissionalizantes e cidadania. A diretora da organização, Sílvia Marques, aponta para a importância do projeto que é desenvolvido graças ao apoio de empresas, voluntários, outras ONGs e o Poder Público. “Aqui as crianças passam todo o dia. Fazem seis refeições diárias, estudam, aprender e brincam”, conta. Em média, o Lar atende mais de 200 crianças.
Força de vontade não falta. Mas, manter a instituição não tem sido fácil. No primeiro semestre do ano, mais de cem meninos e meninas da educação básica não puderam participar das atividades. “Com a crise mundial, uma organização internacional que nos ajudava não renovou o convênio. A Prefeitura do Cabo, que cobria 25% das despesas, também não está mais nos ajudando”, diz Sílvia. Cerca de R$ 47 mil são gastos por mês. No entanto, a receita foi cortada pela metade.
“Aqui eu jogo bola, canto e brinco”, conta David José, 6 anos, que mora em Pontezinha. “Tenho muitos coleguinhas. Gosto da sala de aula, do balé e das aulas de arte”, diz Maria Alice, 6. As crianças passam o dia no Lar participando das atividades já citadas. Para que esses meninos e outros possam ser beneficiados a ajuda de novos parceiros e da população em geral é importante. Quem desejar contribuir pode entrar em contato pelo telefone (81) 3479-4081 ou e-mail falelar@lardeclara-pe.org.br. Também pode fazer um depósito em dinheiro, pela agência 2988-2 do Banco do Brasil. O número da conta é o 18784-4.
10% DE CRIANÇAS TRABALHAM
Por Irce Falcão
Recriminado ao redor do mundo, o trabalho infantil ainda está presente em alguns cantos do Brasil. E Pernambuco não está imune a esta realidade, que atinge cerca de 4,5 milhões de brasileiros, segundo dados da Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios (PNAD). “Pernambuco tem a menor taxa da Região Nordeste, com 10,6% das crianças e adolescentes trabalhando. A pior situação é a do Piauí, com 15% de trabalhadores infantis”, revelou o assessor do Centro Dom Helder Câmara de Estudos e Ações Sociais (Cendhec), Paulo Lago.
Esta situação não atinge apenas o desenvolvimento educacional dos jovens, pois está diretamente relacionada aos malefícios no âmbito físico e psicológico das crianças, em geral de cinco a 17 anos. Para combater este problema, o Cendhec trabalha, há 11 anos, com a realização de projetos que buscam alertar e conscientizar a população acerca dos prejuízos causados pela iniciação precoce ao trabalho. Fundado há 19 anos, o Cendhec se constitui como um Centro de Defesa dos Direitos Humanos, mais precisamente no cuidado com crianças, adolescentes e grupos sociais excluídos.
Para isto, o Cendhec promove dois programas que representam a linha de trabalho da organização não-governamental: o Programa dos Direitos da Criança e do Adolescente (DCA) e o Direito à Cidade (DC). “As ações de erradicação e prevenção do trabalho infantil estão inseridas no DCS”, explicou Paulo.
Dentre os principais trabalhos realizados pelo Cendhec estão cursos, palestras, oficinas e debates, que visam sensibilizar e informar não só os jovens, mas os profissionais e familiares, sobre o tema. A mais nova realização da organização é o projeto Do Trabalho Infantil à Participação. “Promoveremos oficinas em escola públicas e núcleos do Programa de Erradicação ao Trabalho Infantil (PETI), no Recife”, revelou Paulo. As oficinas são ministradas por dez educadoras treinees, atuando de acordo com a linha funcional do Cendhec, que visa informação e sensibilidade.
Serviço:
Cendhec – Rua Dom Galvão Raposo, 295, Madalena
Contato: Paulo Lago, assessor – 3227-4560 / 9115-7655
SAIBA MAIS
Por Gabriella Albuquerque
O que diz a lei sobre o trabalho infantil?
O Estado brasileiro criou uma lei para a proibição de trabalhos realizados por crianças e adolescentes menores de 16 anos em 1988, na nova Constituição. Os artigos relacionados ao trabalho infantil dizem que a idade mínima para o trabalho aprendiz é 14 anos e não pode haver prejuízos para o jovem. Após os 16 anos, garotos e garotas podem trabalhar desde que a atividade não ofereça risco à sua saúde.
Para garantir o cumprimento da lei, o Estatuto da Criança e do Adolescente prevê que os Conselhos Tutelares devem garantir a aplicação eficaz das propostas legislativas. O governo federal também criou o Programa para Erradicação do Trabalho Infantil (PETI) em 1996.
O que o Programa faz? Quem participa?
O PETI se transformou em realidade em 2001, na cidade de Viçosa, em Minas Gerais, em parceria com a Secretaria de Assistência Social. O objetivo é retirar a criança do mercado de trabalho oferecendo uma ajuda de custo, a condição para receber esse auxilio é que o menor frequente a escola, as atividades extracurriculares, tenha acompanhamento nutricional, médico e de vacinação.
Desde 2005, o PETI se integrou ao Programa Bolsa Família para enfrentar um duplo problema brasileiro, no entanto cada programa continua agindo com focos diferentes. A bolsa paga a famílias da área urbana de capitais, regiões metropolitanas e municípios com mais de 250 mil habitantes é de R$ 40. Já as residentes em área rural e outros municípios, o valor é R$ 25. Essa definição é realizada através da identificação do domicilio da família no CadÚnico (cadastro de famílias, crianças e adolescentes, por meio da Secretaria de Assistência Social).
O que fazer?
Para denunciar o trabalho infantil, telefone:
Conselho Estadual da Criança e do Adolescente de Pernambuco - 3184 7000
Programa de Erradicação do Trabalho Infantil - 0800 707 2003
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Fazenda da Esperança
Por Cynthia Bernardes
Foi realizada no dia 23 de novembro no Auditório do Bloco G da Universidade Católica de Pernambuco, uma palestra sobre “A Partilha da vida de jovens da Fazenda da Esperança de Garanhuns”. Com objetivo de ajudar e informar às pessoas que têm familiares ou amigos que caíram no mundo da droga.
A fazenda surgiu em 1983, na cidade de Guaratinguetá, interior de São Paulo, por Nelson Giovaneli, pois quando via os jovens na rua perto de sua casa consumindo e vendendo drogas se sentia bastante incomodado e com vontade de ajudar. O primeiro grande passo foi incentivado pelo Frei Hans Stapel, seu pároco que pregava a Palavra de Deus.
Hoje a Fazenda da Esperança existe não só no Brasil, mas na Alemanha, Argentina, Filipinas, Guatemala, Moçambique, México, Paraguai, Rússia e Uruguai, ajudando a homens e mulheres. O período de recuperação é de um ano e dos 80% que completam o ano se recuperam 100% mantendo vivo o que aprendeu na fazenda.
A Fazenda da Esperança ganhou mais reconhecimento em 05 de maio de 2007, quando o papa Bento XVI, visitou a comunidade das Pedrinhas, interior de São Paulo. Deixando uma missão para todos os jovens presentes realizar em seu dia-a-dia na nossa sociedade. “Vocês devem ser os Embaixadores da Esperança”.
O ex - recuperado Francisco, da Fazenda da Esperança de Feira de Santana-Bahia, assumiu como responsável à comunidade terapêutica
Para Carlos Eduardo, morador do bairro do recife engenho do meio, a recuperação ainda está em andamento, pois ele só completará um ano de tratamento, no dia 20 de dezembro. Mas nesses 11 meses ele está muito feliz e satisfeito com todo o resultado. Quando criança viu seu pai que era alcoólatra bater em sua mãe sem motivo algum, criando assim uma raiva muito grande. “Eu olhava nos olhos dele e dizia que um dia ainda iria matá-lo. Mas ele vivia brigando em todos os cantos, até que um dia apareceu morto com nove tiros”. Mesmo sem o pai aos 10 anos, Carlos não conseguia perdoá-lo por tudo o que ele tinha feito e foi na rua aos 12 anos que ele quis entrar ‘no grupo’ de meninos mais velhos fazendo tudo o que eles faziam. “Eu fumava maconha, fazia grafite e aos 13 anos experimentei o crack. Com 14 eu disse tudo o que eu fazia na rua a minha mãe que imediatamente me internou em uma clínica, onde passei seis meses ‘puro’ e ganhei até certificado. Mas quando saí em um mês voltei pior do que eu era. Tentei suicídio duas vezes, pedia para minha mãe me trancar no quarto, batia a cabeça na parede para desmaiar e não usar drogas”. Foi aos 16 anos que Carlos resolveu sair definitivamente dessa vida, fazendo uma pesquisa no google com sua mãe, achou a fazenda e decidiu tentar mais uma vez. “Lá eu ouvia tudo sobre qualidade de vida, amar e perdoar, mas no começo nada fazia sentido, mas quando eu olhava nos olhos de outras pessoas, sentia um conforto enorme e fui atrás disso. A mudança eu só percebi quando eu ‘saboreei’ uma bala e não conseguia nem mais jogar o papel no chão. A minha melhor experiência nesses 11 meses eu tive nesse final de semana quando fui ao shopping com minha mãe, pois vi algumas pessoas que eu andava e dois meninos desse grupo ao deparar comigo e ver minha mudança, me deu os parabéns. A cada passo que eu dava eu agradecia a Deus, e hoje sou feliz como nunca fui na minha vida”.
Muitos jovens querem ser ajudados a saírem definitivamente dessa vida e os jovens recuperados são testemunhas de esperança para outros.
Serviços:
Fazenda da Esperança Santa Rita de Cássia
Endereço: Caixa Postal 12 / Cep: 55290 – 970
Telefone: Fax (87) 3761- 0594
Email: garanhuns.f@fazenda.org.br
Categoria: Feminino
Fazenda da Esperança Santa Rosa
Endereço: Caixa Postal 12 / Cep: 55290 – 970
Telefone: Fax (87) 3762- 4661
Email: garanhuns.m@fazenda.org.br
Categoria: Masculino
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Velhice Plena
Por Rafaella Magna
Há vinte anos, as pessoas se consideravam idosas aos 40 ou 50 anos. Hoje, esse referencial já passou para 60, 65, 70, 80 e, talvez, até mais. Isso já é uma mudança, uma visão diferente do envelhecimento, que é um processo contínuo desde o nascimento. O importante é perceber o que está fazendo para chegar bem à velhice, sem dependência. Mas, afinal o que é a velhice?
O envelhecimento não chega para causar medo, mas para ser vivido intensamente, com aspectos positivos e negativos, assim como acontece em qualquer faixa etária. É uma fase plena de sabedoria, conhecimento e experiência, ainda que traga algumas dores e desconfortos.
A velhice deve ser uma conquista, mas pode ser um problema quando você não consegue mudar características preservadas durante toda a vida. Por isso, as pessoas mais novas costumam dizer que todo idoso é teimoso. É necessário que nós trabalhemos para não ficarmos ranzinzas, sisudos. Hoje, não se admite desculpa para não fazer esse esforço, visto que existem diversas formas de melhorar o comportamento.
Direito à vida, paz, diversidade, inclusão social, cidadania, boa aposentadoria e qualidade de vida e de morte, talvez sejam esses os ideais oara uma “velhice plena”. O idoso precisaria, portanto, ter liberdade de ação, tranquilidade de espírito, espaço na sociedade (inclusive de cobrança e exercício dos seus direitos sociais) e respeito pelos diferentes comportamentos das novas gerações.
É preciso que todos estejam atentos para evitar os atos de agressão contra os idosos, impossibilitando o desenvolvimento de situações mais complexas. Situações e fatores de risco precisam ser detectadas, incentivar os idosos a participarem de atividades sociais e de lazer e, caso a violência se instale, promover a intervenção de uma equipe qualificada interdisciplinar de apoio.
Microempresário também tem vez nas ONGs
Por Rebeca Duque
No Brasil existem várias Organizações Não-Governamentais (ONGs) criadas para combater a exclusão social, o elitismo político, o preconceito racial, entre tantas outras funções. Contudo, o que não se pode deixar de enfatizar é a esperança ressurgida, através da criação desses espaços, de muitas pessoas. As ONGs passaram a ocupar um lugar de destaque quando se refere à democracia do país.
Um exemplo bastante diferente é o da Agência Nacional de Desenvolvimento Empresarial (Ande), um órgão não governamental especializado em microcrédito produtivo orientado a partir da necessidade de cada pessoa. Há cinco anos no mercado, ela já conseguiu atender cerca de 40 mil empresários, sendo mais de 18 mil só em 2008. A organização está em sete estados do país, sendo eles: Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte.
A metodologia usada pela Ande garante o acompanhamento e a orientação de um agente de crédito aos empreendedores, independentemente do tipo de produto em que ele acesse na organização – Banco Comunitário, Grupo Solidário ou Crédito Individual. Segundo a gerente da organização, Juliana Paz, a principal intenção é que o empréstimo seja bem aproveitado para dar início ao sucesso do microempresário e seu pequeno negócio.
O Banco Comunitário é um grupo organizado e treinado pelo agente de crédito, tornando-se auto-administrável e sustentável. Para a assessora de marketing, Lívia Bem, a relação entre o cliente e a organização é muito importante. “É fundamental que haja laços de confiança e união entre os integrantes para que eles se legitimem e alcancem juntos seus objetivos”.
O crédito individual é um produto indicado para microempreendedores já estruturados, que procuram o empréstimo para obter capital de giro ou fazer investimentos no negócio, mas para conseguir o montante, o cliente deve possuir um avalista.
Assim como no banco comunitário, o grupo solidário consiste em um grupo de pessoas que se avalizam. São empreendedores que individualmente não conseguiriam obter o crédito. “É o produto mais acessado da Ande, com 71% da carteira da organização. Para formar um grupo solidário é necessária uma equipe de três a sete microempresários. O valor disponibilizado pela Ande, dependendo da necessidade de cada cliente, pode ser de até R$ 7 mil”, explica Juliana Paz.
História que deu certo
Por Gabriella Galindo
Gracia Elizabeth, ou a Beta - como é conhecida, sempre trabalhou no ramo alimentício ajudando no restaurante de sua família. Ela tinha um comércio dentro de uma empresa de telefonia, a qual trabalhava com o marido e atendia os funcionários vendendo refeições. Mas, a companhia onde ficava seu estabelecimento foi comprada por uma multinacional e a micro empreendedora perdeu sua aliança de funcionamento.
Em meio a tanta crise financeira, Beta se separou do marido, mudou-se para a casa da mãe, converteu-se religiosamente e viu a irmã ficar viúva. Vendo as dificuldades que os sobrinhos estavam passando, ela decidiu produzir e oferecer almoços na sala da casa de sua irmã, iniciando, assim, um novo negócio. Como não tinha capital suficiente para investir no primeiro momento, a família custeou os primeiros almoços.
Mas, finalmente, uma luz se acendeu. Foi por meio do Conselho de Moradores da sua comunidade que a desempregada conheceu a Ande. “A partir daí, as oportunidades começaram a surgir. Ouvi alguns conselhos e pensei na possibilidade de tornar-se cliente da organização. Só assim eu consegui impulsionar o meu negócio”, relembra Beta.
Pensando nisso, fundou o Banco Comunitário ‘Economia Solidária’ e começou com um empréstimo de R$300 para investir em panelas, pratos, talheres e outras mercadorias e instrumentos para a realização de seu trabalho. “Com o passar do tempo, meu negócio foi prosperando e eu construí uma coberta para proteger o estabelecimento do sol e da chuva. Comprei mesas, cadeiras, fogão industrial, carrinho de self-service, freezers, tudo para incrementar e atrair ainda mais os meus clientes”, explica.
Atualmente ela acessou R$ 5.234,30 e já ergueu um pequeno restaurante, ainda na Macaxeira, ao lado da casa da irmã, apesar do terreno ser alugado. Empreendedora, aos poucos ela foi expandindo a sua produção e, agora, presta serviço para várias empresas, para autônomos e pessoas que moram na região. A demanda de clientes cresceu tanto que ela está empregando uma moça da comunidade. Com força de vontade e garra, Beta superou todas as dificuldades. Hoje, não tem mais restrição no SPC, sonha em comprar um carro e sair do aluguel.