quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Fazenda da Esperança

Por Cynthia Bernardes


Foi realizada no dia 23 de novembro no Auditório do Bloco G da Universidade Católica de Pernambuco, uma palestra sobre “A Partilha da vida de jovens da Fazenda da Esperança de Garanhuns”. Com objetivo de ajudar e informar às pessoas que têm familiares ou amigos que caíram no mundo da droga.

A fazenda surgiu em 1983, na cidade de Guaratinguetá, interior de São Paulo, por Nelson Giovaneli, pois quando via os jovens na rua perto de sua casa consumindo e vendendo drogas se sentia bastante incomodado e com vontade de ajudar. O primeiro grande passo foi incentivado pelo Frei Hans Stapel, seu pároco que pregava a Palavra de Deus.

Hoje a Fazenda da Esperança existe não só no Brasil, mas na Alemanha, Argentina, Filipinas, Guatemala, Moçambique, México, Paraguai, Rússia e Uruguai, ajudando a homens e mulheres. O período de recuperação é de um ano e dos 80% que completam o ano se recuperam 100% mantendo vivo o que aprendeu na fazenda.

A Fazenda da Esperança ganhou mais reconhecimento em 05 de maio de 2007, quando o papa Bento XVI, visitou a comunidade das Pedrinhas, interior de São Paulo. Deixando uma missão para todos os jovens presentes realizar em seu dia-a-dia na nossa sociedade. “Vocês devem ser os Embaixadores da Esperança”.

O ex - recuperado Francisco, da Fazenda da Esperança de Feira de Santana-Bahia, assumiu como responsável à comunidade terapêutica em Garanhuns-Pernambuco. Mas antes dele conquistar tudo o que tem hoje, enfrentou muitas dificuldades. Entrando no mundo da droga desde 14 anos. Aos 16 anos a vida não fazia mais sentido. “Passei seis anos da minha vida me drogando todos os dias, era álcool, maconha, cocaína, droga injetada e crack. Aos 20 anos tive overdose e passei dois dias ‘apagado’, quando acordei não queria mais essa vida”. Francisco relembra que tinha escutado falar da fazenda e decidiu entrar lá para mudar de vida e a cada conquista alcançada tudo tinha um sabor diferente. “Eu roubei, puxei faca para os outros, tinha um temperamento muito forte e eles tiveram toda paciência, foi quando percebi que tudo o que eu havia aprendido tinha que ser passado a diante”. Agora como responsável da Fazenda de Garanhuns, ajuda todos os jovens como sua própria família, formando assim uma família Universal. “Eu já ajudei pessoas com 40 anos de droga e hoje na fazenda trabalhamos muito o amor e a família, porque as maiorias das pessoas perdem todo o amor e isso é muito importante. Fazemos um processo de humanização”.

Para Carlos Eduardo, morador do bairro do recife engenho do meio, a recuperação ainda está em andamento, pois ele só completará um ano de tratamento, no dia 20 de dezembro. Mas nesses 11 meses ele está muito feliz e satisfeito com todo o resultado. Quando criança viu seu pai que era alcoólatra bater em sua mãe sem motivo algum, criando assim uma raiva muito grande. “Eu olhava nos olhos dele e dizia que um dia ainda iria matá-lo. Mas ele vivia brigando em todos os cantos, até que um dia apareceu morto com nove tiros”. Mesmo sem o pai aos 10 anos, Carlos não conseguia perdoá-lo por tudo o que ele tinha feito e foi na rua aos 12 anos que ele quis entrar ‘no grupo’ de meninos mais velhos fazendo tudo o que eles faziam. “Eu fumava maconha, fazia grafite e aos 13 anos experimentei o crack. Com 14 eu disse tudo o que eu fazia na rua a minha mãe que imediatamente me internou em uma clínica, onde passei seis meses ‘puro’ e ganhei até certificado. Mas quando saí em um mês voltei pior do que eu era. Tentei suicídio duas vezes, pedia para minha mãe me trancar no quarto, batia a cabeça na parede para desmaiar e não usar drogas”. Foi aos 16 anos que Carlos resolveu sair definitivamente dessa vida, fazendo uma pesquisa no google com sua mãe, achou a fazenda e decidiu tentar mais uma vez. “Lá eu ouvia tudo sobre qualidade de vida, amar e perdoar, mas no começo nada fazia sentido, mas quando eu olhava nos olhos de outras pessoas, sentia um conforto enorme e fui atrás disso. A mudança eu só percebi quando eu ‘saboreei’ uma bala e não conseguia nem mais jogar o papel no chão. A minha melhor experiência nesses 11 meses eu tive nesse final de semana quando fui ao shopping com minha mãe, pois vi algumas pessoas que eu andava e dois meninos desse grupo ao deparar comigo e ver minha mudança, me deu os parabéns. A cada passo que eu dava eu agradecia a Deus, e hoje sou feliz como nunca fui na minha vida”.

Muitos jovens querem ser ajudados a saírem definitivamente dessa vida e os jovens recuperados são testemunhas de esperança para outros.

Serviços:

Fazenda da Esperança Santa Rita de Cássia

Endereço: Caixa Postal 12 / Cep: 55290 – 970

Telefone: Fax (87) 3761- 0594

Email: garanhuns.f@fazenda.org.br

Categoria: Feminino

Fazenda da Esperança Santa Rosa

Endereço: Caixa Postal 12 / Cep: 55290 – 970

Telefone: Fax (87) 3762- 4661

Email: garanhuns.m@fazenda.org.br

Categoria: Masculino

Um comentário:

  1. FAZENDO E TECENDO ESPERANÇAS. QUE DEUS DÊ FORÇAS AOS ABNEGADOS DAS FAZENDAS ESPERANÇAS. OBRIGADO POR VOCÊS EXISTIREM. ABENÇOA SENHOR A FAZENDA ESPERANÇA.

    PEDRO PINTO - ADV. GARANHUNS

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