quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Uma década de AACD Pernambuco

Em 2010 a Associação de Apoio à Criança com Deficiência completará dez anos em atividade em Pernambuco e 70 no Brasil.

Por Gabriela Melo e Marta Souza


Responsável por atender toda região norte e nordeste, a Associação de Apoio à Criança com Deficiência (AACD) completará dez anos atuando em Pernambuco com 255 voluntários e 187 funcionários. Inaugurada no dia 14 de maio de 1999, após receber doações do primeiro Teleton, a AACD Pernambuco realiza 700 atendimentos diários, mas ao todo a instituição soma 9.800 pacientes, e atende patologias como paralisia cerebral, malformações congênitas, doenças neuromusculares, mielomeningocele, amputações, lesão encefálica adquirida, poliomielite e lesão medular.

De acordo com Ernesto Neves, ouvidor da entidade, a AACD Pernambuco já se sustenta sozinha, ou seja, ela não precisa da ajuda das outras nove sedes da instituição. “Todo nosso dinheiro é arrecadado através de doações como a do Teleton, de pessoas físicas e empresas patrocinadoras. Também vendemos produtos com a logomarca da AACD para ajudar nas doações”, disse ele. O trabalho da associação é tão completo que em suas próprias instalações existe uma oficina onde são confeccionadas as próteses utilizadas pelos pacientes em tratamento. Além da oficina a AACD conta com alas de psicologia, fonoaudiólogia, hidroterapia, pedagogia, terapia ocupacional, terapia em grupo (reunião), cursos de capoeira, coral, sala de curativo e a
sala das mães, local onde as mães dos pacientes podem descansar, tomar banho e fazer as refeições. O primeiro passo para que uma criança possa ser assistida pela AACD é uma avaliação para diagnosticar qual a deficiência da criança. “A partir dessa avaliação encaminhamos o paciente para o tratamento adequado. Tratamos os pacientes e famílias com muito respeito e esperamos que esse respeito seja recíproco. Aqui elas dispõem de local com nível de hospital particular e instalações limpas e confortáveis”, explicou Ernesto Neves.

A fonoaudióloga de 24 anos, Lílian Alves de Melo, encontrou na AACD o alívio de saber que a doença do filho, Cauã Felipe de dez meses, poderia ser controlada. " “Meu nasceu mais molinho que o normal, por isso procurei vários médicos que o diagnosticaram de forma errada, me deixando cada vez mais preocupada. Até que um dia um neurologista me encaminhou para a parte de neurologia da AACD. Foi então que o Cauã foi diagnosticado com a Síndrome de Prader-Willi”, disse Lílian. A Síndrome de Prader-Willi é um distúrbio genético no qual sete genes do cromossomo 15 estão faltando ou não são expressados (deleção no braço longo do cromossomo 15) no cromossomo paterno. Retardo mental, hipotonia grave (flacidez), dificuldade de deglutição (dificuldades para engolir), obesidade e higonadismo (defeito no sistema reprodutor) são características da doença. Assim como muitas mães, Lílian foi acompanhada por psicólogos da própria AACD enquanto os médicos tentavam diagnosticar a doença do filho. "Por mais que eu tenha um entendimento da área de saúde, a doença do meu filho não entrava na minha cabeça. Aqui na associação recebi toda uma preparação até chegar ao resultado final. Fomos muito bem informados e preparados para cuidar do problema que nos rodeava. Tudo isso aconteceu quando ele tinha um mês, agora já se passaram nove meses e ele já esta mais durinho. Graças a Deus foi só evolução “, falou ela.

Jaidete Pereira da Silva, 29 anos, é mãe de Evellin Ranniere Rodrigues, de 11 anos. Evellin tem paralisia cerebral e está a três anos sendo assistida pela instituição. “Minha filha melhorou muito e só tenho a agradecer. A única coisa que é difícil de agendar aqui é cirurgia. A AACD ainda não tem recurso para o tipo de cirurgia que minha filha necessita”, lamentou Jaidete. Porém no mês passado a AACD conseguiu a verba de três mil reais no tribunal de contas. O dinheiro será usado para mobiliar o novo espaço para a sala das mães. “Já compramos ar condicionado, micro-ondas e outros aparelhos eletrodomésticos. Nós ajudamos com o que podemos, mas temos que contar com a colaboração das mães para manter o ambiente limpo e sem depredações”, comentou a voluntária Sônia Maria Sabarreto.

Erra quem acha que a AACD tem pouco tempo em atividade. Em 2010 a instituição completará 70 anos da primeira sede em São Paulo. Ela nasceu do sonho de um médico que queria criar no Brasil um centro de reabilitação com a mesma qualidade dos centros que conhecia no exterior, para tratar crianças e adolescentes deficientes e reinseri-los na sociedade. Foi pensando nisso que o Dr. Renato da Costa Bomfim reuniu um grupo de idealistas e, no ano de 1950, fundou a AACD. A instituição funciona até hoje e ganhou a companhia de outras oito unidades espalhadas pelo Brasil.


Serviço:

AACD Pernambuco: Av. Advogado José Paulo Cavalcanti, 155 - Ilha Joana de Bezerra - Recife – PE. Telefone: 81 3419-4000

Para doações: 81 3419-4000/ vvales@aacd.org.br
www.comunidadeaacd.ning.com

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