POR MARIA ALINE MORAES

Marcharam para reafirmar a necessidade da realização da Reforma Agrária como uma política de distribuição de terra, de renda e de justiça social
Marcharam para reafirmar a necessidade da realização da Reforma Agrária como uma política de distribuição de terra, de renda e de justiça social
O início do mês de agosto foi marcado pelas mobilizações dos Sem Terra em todo o Brasil. Em Pernambuco, a Marcha percorreu 64 quilômetros, passando pelos municípios de Pombos, Vitória de Santo Antão, Bonança e Moreno até, finalmente, chegar em Recife, no dia 12. Na capital, segundo a coordenadora nacional do MST, a pernambucana Missilene Goreti, cerca de 1.700 trabalhadores marcharam do Atacado dos Presentes, da BR-232, até a reitoria da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), onde líderes e estudantes de diversos movimentos discursaram em favor do direito à terra. Entre eles, a diretora estadual do MST lembrou que 58% das famílias brasileiras vivem com os R$ 200 oferecidos pelo Bolsa Família mas que não é isso que o povo quer, “Ou se mata de vergonha ou vicia o cidadão”, citou Gonzaguinha. Por volta das 17h, a Marcha seguiu para o Parque de Exposições do Cordeiro, onde os integrantes passaram a noite para seguir no outro dia (13) para o Centro do Recife com parada final no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), onde aconteceu o encontro com membros do Governo do Estado e do Incra.
Lourença Siqueira, que no dia 16 completou 80 anos, junto a sua filha, Roselle Siqueira, ambas integrantes do Fórum de Ações Populares e da Associação Pernambucana de Anistiados Políticos – APAP, participaram da Marcha dos Sem Terra. Exemplo da relação de apoio mútuo entre os movimentos urbanos e agrários, o que representa uma nova fase na maturidade dos movimentos sociais no Estado.
“Participo da militância desde a época da ditadura militar e da construção do PT. O que acontece hoje é que as pessoas estão sem ação. Muitas delas estão no governo. Na minha opinião, o movimento está mais devagar depois que Lula foi eleito porque o povo fica sendo enganado, iludido”, disse Roselle.
Gleisa nasceu há 23 anos no primeiro assentamento do Brasil, o Nova Ronda Alta, no Rio Grande do Sul. Veio para Recife em janeiro, através do Coletivo da Juventude. Consigo, trouxe o filho de 11 anos, que literalmente seguiu os passos da mãe durante os 18 km percorridos na Marcha do dia 12.
“O Governo Lula adotou uma política de compensação ao invés da política de transformação, que está ainda mais devagar. Essa escolha só contribuiu para desarticular o movimento porque faz com que muitas pessoas se contentem com isso e se acomodem na luta. Mas, mesmo em meio a tantas dificuldades estamos organizados para construir e avançar na luta”, definiu Gleisa.
Muito boa a matéria.
ResponderExcluirQue os comunicadores repercutam a consciência da cidadania o/
ResponderExcluir